O primeiro mundo

Hoje, só queria postar um texto bonito. Sem críticas e de boas recordaçoes, que me fizesse sentir aconchegada e em casa, mesmo estando tao longe. Por isso, um texto de Gaston Bachelard, de A Poética do Espaço, que recebi por email da minha mae; porque aqui o dia esfriou e escureceu.

“A casa é nosso canto no mundo. Ela é, como se dia amiúde, o nosso primeiro universo. É um verdadeiro cosmos. Um cosmos em toda a acepçao do termo. Nosso objetivo está claro agora: pretendemos mostrar que a casa é uma das maiores  (forças) de integraçao para os pensamentos, as lembranças e os sonhos do homem. Nessa integraçao, o princípio de ligaçao é o devaneio. O passado, o presente e o futuro dao à casa dinamismos diferentes, dinamismos que nao raro interferem, às vezes se opondo, às vezes exitando-se mutuamente. Na vida do homem, a casa afasta contingências, multiplica seus conselhos de continuidade. Sem ela, o homem seria um ser disperso. Ela mantém o homem através das tempestades do céu e das tempestades da vida. É o corpo e alma. É o primeiro mundo do ser humano. Antes de ser “jogado no mundo”, como professam as metafísicas apressadas, o homem é colocado no berço da casa. E, sempre, nos nossos devaneios, ela é um grande berço. Uma metafísica concreta nao pode deixar de lado esse fato, esse simples fato, na medida em que ele é um valor, um grande valor ao qual voltamos nos nossos devaneios. O ser é imediatamente um valor. A vida começa bem, começa fechada, protegida, agasalhada no regaço da casa. “

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